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25 maio 2016

Aluna diz ter sido fotografada por cima de box do banheiro na UFRN; 'Medo'

(Foto: Amanda Porfírio/G1)
“Estou com medo de ir à universidade. É um lugar aberto, ele vai ter acesso a corredor, ao banheiro. A ouvidoria já disse que não é possível colocar um segurança lá”. As palavras são da estudante Ísis Oliveira, de 19 anos. Aluna do cursinho do Diretório Central dos Estadudantes (DCE) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que oferece aulas preparatórias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a jovem disse ter sido fotografada por um funcionário de uma empresa que presta serviço à universidade enquanto estava no banheiro feminino. O caso aconteceu na segunda-feira (23).
De acordo com a estudante, tudo aconteceu por volta das 9h30, no intervalo entre duas aulas. Ela e outras duas amigas aproveitaram o tempo para ir ao banheiro. “Ficamos conversando dentro do banheiro por uns 5 minutos até eu entrar no box. Entrei no único que tinha papel higiênico, que era vizinho a uma cabine que estava com a porta trancada. Quando já estava saindo, vi uma mão segurando um celular por cima do box, fazendo uma foto minha. Foi quando gritei pelas minhas amigas”, disse Ísis.
Uma amiga que já estava dentro do banheiro ficou na frente da porta do box trancado, batendo nela e mandando a pessoa sair. "A minha outra amiga, que estava fora do banheiro, entrou na cabine vizinha, subiu no vaso sanitário e olhou por cima. Foi quando identificamos um homem vestindo a farda da empresa terceirizada que presta serviços à UFRN", relatou.
De acordo com Ísis, o homem alegou que estava trabalhando na manutenção e tinha como função bater fotos do banheiro. “Perguntei se o trabalho dele era bater fotos minhas lá dentro, mas ele continuou dizendo que estava apenas fazendo o serviço mandado. Se ele fosse realmente da manutenção, avisaria que estava ali. Não havia nenhum aviso no banheiro, ele estava em silêncio e com a porta do box trancada”, reclamou.
Ele pode ter colocado em algum aplicativo, colocado em alguma rede social. Não sabemos"
Ísis Oliveira, estudante
Quando conseguiram convencer o homem a entregar o celular, as meninas identificaram que não havia mais nenhuma foto na câmera. “Ele pode ter colocado em algum aplicativo, colocado em alguma rede social. Não sabemos”, continuou.
A confusão no banheiro chamou a atenção de alguns alunos. Segundo a estudante, um aluno do curso de Direito aconselhou que ela não discutisse com o homem e fosse até a delegacia. “Ele disse para não discutir mais porque eu estava muito nervosa e que eu levasse o caso à polícia. Mas aí apareceu outro homem dizendo que eu deixasse de lado, porque como não tinha mais foto, não tinha nenhuma prova. Disse que não ia dar em nada”.
Acompanhada das amigas, Ísis voltou ao cursinho do DCE e procurou o coordenador. Juntos, eles foram até a administração do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) para fazer uma reclamação. “Quando chegamos lá, o homem já estava lá contando a versão dele. Mas ele não havia dito que tinha fotografado por cima da porta. Quando contei o que realmente havia acontecido, ele admitiu o que tinha feito. Mais uma vez me aconselharam a ir até a delegacia”, relatou Ísis.
Após fazerem a reclamação, as meninas pegaram o material na sala de aula e foram se encontrar novamente com o coordenador do cursinho. “Ele estava com alguns seguranças da universidade no estacionamento. Um dos seguranças, que se identificou como chefe da segurança, tentou me desencorajar a levar o caso para frente, disse que não haviam provas”, contou.
O caso foi registrado na 5ª Delegacia de Polícia Civil de Natal. Segundo o delegado René Lopes, o caso ainda está sendo tratado como uma 'suposta importunação ofensiva ao pudor'. “Eu ouvi a aluna que supostamente foi fotografada e também as colegas que presenciaram a cena. Ainda vamos ouvir outras testemunhas e o próprio suspeito para tomar algum posicionamento de fazer um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) ou então abrir o inquérito”, explicou o delegado.
Inicialmente, o depoimento do suspeito foi agendado para o dia 20 de julho. No entanto, o delegado afirmou que vai tentar reaprazar a oitiva para uma data mais próxima. Além disso, o delegado disse que vai solicitar à empresa na qual o suspeito trabalha e à UFRN, onde ele presta serviços, o histórico do funcionário.
“Também queremos ouvir mais testemunhas. Temos que verificar se há outras jovens que presenciaram ou passaram por algo dessa natureza e não falaram por receio, vergonha ou algum outro motivo”, concluiu René Lopes.
Além da denúncia na polícia, o estudante de Direito que deu suporte à Ísis prestou uma denúncia junto à ouvidoria da UFRN. De acordo com a ouvidora substituta Edy Batista, o funcionário já foi afastado. “O caso aconteceu na segunda-feira e foi registrado por meio do sistema da universidade. O funcionário foi devolvido à empresa e não vai mais prestar serviços aqui na UFRN. Ele já não voltou à universidade nesta terça para trabalhar”, garantiu a ouvidora.
“Há quanto tempo ele estava ali? Quantas pessoas passaram por aquele banheiro e ele tirou fotos? Por que passamos por esses absurdos e temos que nos conformar que vai dar em nada? Onde está nossa segurança? Pode ser constrangedor contar o que houve, mas, mais constrangedor ainda é passar por isso e ficar calada”, concluiu Ísis.

Fonte: G1/RN

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