Onze dos 22 acusados de participação em um suposto grupo de extermínio
apontado como responsável por mais de 20 homicídios na Grande Natal,
presos durante a operação Hecatombe - deflagrada no início de agosto
pela Polícia Federal – estão sendo transferidos para o Presídio Federal
de Mossoró, na região Oeste potiguar. Entre eles estão seis policiais
militares, dos quais cinco deixaram o Batalhão de Operações Policiais
Especiais (Bope) na manhã deste sábado (12).
A determinação é do juiz federal Walter Nunes, que atendeu pedido
formulado pelo Ministério Público. Os outros cinco envolvidos, que
continuam presos na capital, também serão levados para Mossoró, mas a transferência só deve acontecer na próxima semana.
A mudança de local de custódia havia sido autorizada na última
terça-feira (8) pelas juízas Denise Léa Sacramento Aquino, Giselle
Priscila Cortez Guedes Draeger e Suzana Paula de Araújo Dantas Correa,
integrantes do colegiado de juízes criminais da comarca de São Gonçalo
do Amarante, onde tramita o processo. As magistradas entenderam que “a
medida é necessária à segurança pública”.
Advogados dos réus negam as acusações e afirmam que irão recorrer da
decisão de retirar os presos de Natal. Os defensores também negam a
participação dos acusados nos crimes de homicídio.
Alegações
Para pedir a transferência dos presos, o Ministério Público alegou que
dois dos indiciados, ambos soldados da Polícia Militar, encontraram
meios dentro do presídio para continuar atuando na quadrilha mesmo
durante os períodos de prisão cautelar. E que, “apesar da decretação da
constrição de liberdade, conseguiram sair do presídio militar sem
qualquer autorização judicial e participaram de reunião com integrantes
da quadrilha”, conforme depoimento de uma testemunha.
Além disso, o MP recordou que no dia 30 de agosto, o soldado da PM Wendell Fagner Cortez foi filmado fora do presídio militar,
onde está custodiado. A Polícia Federal identificou o soldado em
imagens capturadas pela câmera de segurança de uma agência dos Correios
que fica dentro de um supermercado da zona Norte da capital. “Não
existia nenhuma autorização judicial para a sua saída da prisão, o que
também demonstra a sua influência dentro da polícia militar e os riscos
aos quais estão expostas as testemunhas e vítimas sobreviventes dos
crimes perpetrados, cabendo destacar que, conforme informação do
Ministério Público, uma das testemunhas já incluídas em programa de
proteção ao depoente especial já está solicitando a sua saída do
programa em razão de ameaças a seus familiares”, acrescenta.
Em outro trecho da alegação, o MP relata que outros acusados
“conseguiram acesso dentro do presídio militar a telefones celulares,
tendo entrado em contato com presos de outras unidades prisionais,
membros da quadrilha e familiares”. Um outro indiciado no processo,
ainda de acordo com o Ministério Público, “pagou quantia em dinheiro a
algum facilitador para ficar na cozinha do presídio visando obter
regalias e preparar uma fuga”.
Por fim, o requerimento formulado pelo MP considera a necessidade de
recolhimento dos presos em presídios federais por entender que os
acusados fazem parte do núcleo de liderança da organização criminosa ou
são membros com atuação relevante na parte de execução dos crimes,
estando todos envolvidos na prática reiterada de homicídios
qualificados. Além disso, consta que chegaram a articular ações para
fins de fuga do presídio.
A operação Hecatombe, deflagrada no dia 6 de agosto, recebeu este nome
em referência ao sacrifício coletivo de muitas vítimas. Naquele dia, 17
pessoas foram presas. Entre elas, sete policiais militares.
No dia seguinte, uma pessoa se apresentou e também ficou detida. No dia
13, o soldado da PM Rosivaldo Azevedo Maciel Fernandes, que há três
anos foi reformado por apresentar problemas psicológicos, também se
entregou à PF. Ele nega as acusações. No mesmo dia, um ex-PM suspeito de também participar do suposto grupo de extermínio foi preso na zona Norte de Natal.
No dia 22, em Macaíba, a PF conseguiu prender o último suspeito.
Até então foragido, o segurança Márcio Valério de Medeiros Dantas, de
33 anos, foi encontrado após os agentes receberem uma ligação anônima.
Ele nega qualquer envolvimento nos crimes.
A operação foi realizada nos municipios de Natal, São Gonçalo do Amarante, Parnamirim e Cerro Corá.
Ao todo, participaram da ação 215 policiais federais, sendo que 30
deles são do Comando de Operações Táticas Especializado em Operações de
Alto Risco, de Brasília. Ao todo, ainda foram apreendidas 29 armas,
entre revólveres, pistolas, espingardas e um fuzil. Além disso, mais de
11 mil munições também foram encontradas.
Fonte: G1/RN
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